segunda-feira, setembro 11, 2006

há pegadas que o tempo não guarda... as minhas, estas, ficam por aqui.
digo, em contraluz, até já. há mais chão, ou água, onde plantar.



©duaspegadas

domingo, setembro 10, 2006

A causa secreta das coisas

exposição patente no espaço maria vai com as outras,
R. do Almada, 443, Porto

pinturas de Priscila Fernandes
poemas de Ana Caeiro



Priscila Fernandes,Octávio,Acrílico sobre tela


OCTÁVIO


não tenho nome
nada me cabe nas mãos

nem um grito

habito no lusco-fusco
da insónia
e nenhum livro me
derruba o olhar

sexta-feira, setembro 08, 2006


©duaspegadas

terça-feira, setembro 05, 2006


©duaspegadas

deixa-me escapar por entre os teus dedos
como pequenos grãos de areia rendidos ao abraço do mar

sábado, setembro 02, 2006

acendo apenas uma luz


©duaspegadas


a
paga
me
é impressionante ter conseguido repetir a mesma foto num curto espaço de posts, sem ter dado conta. fica a certeza de que gosto da foto independentemente da legenda.

quinta-feira, agosto 24, 2006



"anyone can see through me
but you're not anyone"

Anyone,Joan as Police Woman, Real life

terça-feira, agosto 22, 2006

sugestão...


parede em Viana do Castelo, by emanuel

quinta-feira, agosto 17, 2006

Regresso para dar comer e música ao gato e aproveito para deixar o registo de algumas palavras que me andam a perseguir nestes dias de verão outonal.


"para ti, meu coração arrancado do peito.estou despedaçada. e se eu pudesse enterraria os meus dedos no peito, arrancaria o meu coração e oferecia-to. além do meu coração, há outros orgãos que eu gostaria de te dar: glândulas, pancreas, carnes variadas...
ofereço-te estes presentes.presentes raros. sei que eles não são grande coisa em comparação com o que tu já me deste.
eu ouvi que estes orgãos não sobrevivem fora do corpo por mais de algumas horas. mas tentarei chegar aí o mais rápido possível. não importa, o que acontecer será por minha conta, no meu coração."


JENNY SCHECTER , in L-Word



©duaspegadas

talvez o amor exista, sim, mas não seremos demasiado imperfeitos para alcançá-lo?

sábado, agosto 12, 2006

alguém vai ter que dar comida e música ao gato


©duaspegadas

"I don't belong to you,And you don't belong to me*"


©duaspegadas

agosto podia ser assim: uma canção antiga na rádio, o por-do-sol e a tua mão a descer pelo meu corpo.
se me chamares eu vou. vou.

volto em setembro. ou será que é em setembro que parto?


p.s. - há perigo bastante em olhar-te. nem o oceano chega à profundidade dos teus olhos.


Freedom 90', G.Michael

sexta-feira, agosto 11, 2006


©duaspegadas

....

há na mesa do café um cigarro
e por momentos imagino os teus lábios a pousarem nele
ah, se eu soubesse desses lábios agora
saberia, concerteza, ler todos os planetas
e todas as estrelas

não sei se o quero dizer
não sei sequer se há poema algum em pensar-te
fogo, sim

e queima

terça-feira, agosto 08, 2006

Os telhados da cidade nunca lhe pareceram tão desalinhados. Era admirável a perfeição do vôo das aves. A manhã estava limpa. O mundo respirava nos seus cabelos. Sem vento, baloiçava as certezas como um cigarro entre os dedos.
Pensava nele como num estranho. Um estranho sem nome. Nunca lhe vira o bilhete de identidade. Nunca lhe mexera nos bolsos à procura de um cigarro ou de um isqueiro. Nunca combinaram um encontro. Nunca trocaram números de telefone nem moradas. Nunca falaram sobre o passado.

- Quando se partilha uma cama já se está a partilhar tudo o que é possível partilhar.

Camas em quartos de hotel. Pensões de qualidade duvidosa. Residenciais. Camas de areia numa praia qualquer de verão. Camas no chão, no sofá, na carpete.

- As verdadeiras camas são os corpos que abraçámos.

Segurava o coração com as duas mãos para que ele não andasse à toa pelas ruas. Passou pelo café do costume. Não entrou.

- Engana-se quem diz que ama com todo o seu coração.
- Queres um cigarro?
- Não quero que te apaixones por mim.
- És a pessoas mais pretensiosa que conheço.


marilia

segunda-feira, agosto 07, 2006

While My Guitar Gently Weeps

Beatles by Damon and Naomi



I look at you all see the love there that's sleeping
While my guitar gently weeps
I look at the floor and I see it need sweeping
Still my guitar gently weeps

I don't know why nobody told you
how to unfold you love
I don't know how someone controlled you
they bought and sold you

I look at the world and I notice it's turning
While my guitar gently weeps
With every mistake we must surely be learning
Still my guitar gently weeps

I don't know how you were diverted
you were perverted too
I don't know how you were inverted
no one alerted you

I look at you all see the love there that's sleeping
While my guitar gently weeps
I look at you all
Still my guitar gently weeps

domingo, agosto 06, 2006

Domingo à tarde, os olhos secam com o ar seco, o calor intenso e o fumo dos incêndios. é agosto. a cidade deserta. o gato à porta a queixar-se da sombra. Chris Hooson canta "i still think of you". faz-se tarde. sim, faz-se sempre tarde. Chris Hooson canta. acendo um cigarro. ou finjo. tanto faz quando é tarde.
arranco o relógio do pulso e ponho o coração à venda.



Dakota Suite - Songs for a Barbed Wire Fence

WINTERSONG 6:02
CRIPPLED WORLD 3:20
HARLEY REEVES 4:39
ONE FOR THE SHOE SHINE MAN 3:10
DIVIDED 3:17
OMAMENTAL 3:57
LEAVING HOME 4:07
JOHANNASONG 2:34
OVER 3:36
EVERYTHING IS WRONG 5:18
DECEMBER 8TH 1980 2:13
I CAN FEEL YOUR DISEASE 4:23
THE LAST THING SHE WANTED 4:21
LOSS 2:02

sábado, agosto 05, 2006

(...) Sei-me agora por demais estrangeiro entre as palavras. Se escrevo: Verão, sinto que sujo o sol.
(...)


José Bação Leal, 3 Ag.65, Nampula

sexta-feira, agosto 04, 2006


paisagens do olhar, Luis Rocha


agosto: regar os pés e acender nos olhos um novo Horizonte.

quinta-feira, agosto 03, 2006

em escuta

Mojave 3 - Ask me tomorrow


love songs on the radio

She looks just like an angel
When she walks across the room
She shines tonight
Her golden light
Is everything I need

Lovers all around her
She wears them like her jewels
My friend says she's all he needs
To feel alive

Love songs on the radio
His sweetheart lies in bed
She's dreaming of the things he said
She's hoping that he's well

segunda-feira, julho 31, 2006

com que corpo tocarei a luz


©duaspegadas

(o fundo das coisas nas coisas sem fundo
cair-me todo para caber no mundo)


Pedro Sena-Lino

sexta-feira, julho 28, 2006

one from the heart



...
I can't tell, is that a siren or a saxophone?
But the roads get so slippery when it rains
I love you more than all these words can ever say
Oh baby, this one's from the heart


Tom Waits

terça-feira, julho 25, 2006

capítulo 1: à chegada


©duaspegadas

encontrei um cabelo teu a servir de marcador de página do livro que me emprestaste.

quinta-feira, julho 20, 2006


by Luis Rocha


Thought I'd cry for you forever
But I couldn't so I didn't
People's children die and they don't even cry forever
Thought I'd see your face in my mind for all time
But I don't even remember what your ears looked like

And the clock still strikes midnight and noon
And the sun still rises and so does the moon
Birds still migrate south and people move on
Even though I'm no longer in your arms
Thought the mountain would crumble
And the rivers would bend
But I thought all wrong and the world did not end
Guess the maps will just have to stay the same for a while
Didn't even need therapy to rehabilitate my smile
Rehabilitate my smile

Thought I'd cry for you forever
But I couldn't so I didn't...



Regina Spektor

domingo, julho 16, 2006

nenhuma luz traz limpidez à noite
nem a dos teus olhos, nem a da lua


©duaspegadas

rebolar-te na pele, ser-te o inverso e o reverso


©duaspegadas

a minha boca enumera o silêncio dos espelhos


©duaspegadas

mostra-me o teu reflexo


©duaspegadas

performance by Jorge Santos, Creative Circus,
8 de Julho 2006, Dia experimental do circo na maria vai com as outras

quinta-feira, julho 13, 2006

ao entardecer, escavo palavras na tua boca de mar
salgadas, as sílabas colam-se à pele
como pequenos cristais que a língua percorre devagar
na tentativa de descodificar a complexa teia dos sentidos

falas-me de não sei o quê
que eu inverto numa retroversão demasiado livre

não sou poeta, meu amor,
mas, ainda assim, passam-me versos pelos dedos,
como estrelas estacionadas nas noites de verão da planície

lembras-te? lembras-te dos filhos que não fizemos com vergonha da lua?
lembras-te?
lembras-te da cor dos figos e das ameixas
quando não nos cabia nas mãos o apetite voraz
de lhes descobrir o caroço?
está bem. bem sei que os figos não têm caroço.
mas lambusam as mãos e a boca
o que aumenta o prazer de um beijo.
um beijo, meu anjo, meu doce entardecer nos meus lábios,
um beijo...
recolho-te agora no céu da minha boca
para aí brilhares com uma intensidade tão limpa
quanto a lua
quando a olho, só e abandonada,
do alto do monte.

eu sei, e sei que tu sabes ainda melhor do que eu:
o verdadeiro beijo é aquele que nunca se deu.

quarta-feira, julho 12, 2006

em homenagem ao meu irmão. e não vou dizer mais nada.

segunda-feira, julho 10, 2006

quero escavar-te a pele à procura de relíquias


Luis Rocha

sexta-feira, julho 07, 2006


Luis Rocha

se digo casa, penso corpo.e habito. numa cidade sem ruas.

"shiuuu! shut up. don't do that!"

quarta-feira, julho 05, 2006

das nuvens não apenas a forma. o seu avesso. planície onde a mão de deus costura dias de trigo e papoilas. os girassóis desapareceram da paisagem. assim como o teu corpo da janela. acenavas sempre um adeus lento na despedida. um adeus lento, tão lento quanto o arrastar do teu corpo pelo corredor da casa. até à janela. ainda me lembro dos teus olhos pousados na penumbra dos dias. tu dizias quando voltares já não estarei cá. e nunca acreditei até ao dia em que voltei precisamente porque deixaste de estar. o adeus lento. tão lento quanto o arrastar do teu corpo pelo corredor da casa. quando voltares já não estarei cá. não estavas. não estás. voltarei a ver-te no avesso do avesso das nuvens. as tuas mãos coladas às minhas. a falar do cansaço da vida, dos amigos que partem, do rasto das memórias. nunca soube se te amava. amar é querer regressar e regressar eu regressava. sei que sim. contigo à janela. o adeus lento, muito lento. mas nunca soube se te amava. ou se apenas me habituara à tua presença. ao teu corpo a ser arrastado lentamente pelo corredor da casa. à tua barba áspera quando encostava o meu rosto ao teu. a tua barba áspera. as tuas mãos coladas às minhas. a segurar a vida. das nuvens não apenas a forma. o seu avesso. planície onde deus costura dias de trigo e papoilas. e tu já sem barba, já sem as mãos coladas às minhas. tu já sem poderes acenar à janela. tu já sem o teu arrastar lento. tu em silêncio. sem barba. sem bigode. a vida a desprender-se de ti. e eu nunca soube se te amava. porque também não sei o que saber do amor.

terça-feira, julho 04, 2006

segunda-feira, julho 03, 2006

Como a solidão, este jardim abandonado anoitece. Guardo derrotas, como se guardasse segredos. Anoiteço sobre este jardim. Agora, entre as ruínas, sou igual a estas árvores que morreram no instante em que tudo deixou de fazer sentido. No momento em que partiste, deixei de fazer sentido. O sangue, dentro de mim, é como esta terra seca. A noite não será suficiente para lhe devolver a vida. A noite será como veneno dentro desta terra e dentro de mim porque o céu da noite terá a cor dos meus cabelos, o negro absoluto do meu vestido. A noite será a certeza de que existes entre a multidão. Muito longe daqui, és uma sombra entre a multidão.(...)

José Luis Peixoto, Antídoto

sexta-feira, junho 30, 2006



não sei como é que este sonho nasceu. mas acho que foi há muito tempo atrás. mesmo antes de se tornar o que se tornou. só sei que hoje, para quem viu esta montra com jornais, para quem investiu a esperança nestas paredes, é um dia histórico. é um dia mais para a nossa estória.

terça-feira, junho 27, 2006


©duaspegadas

desfocar-te com mãos míopes sobre a textura da pele, enquanto o fogo se acende nos telhados.